Filipa Maia

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    Novembro 2018

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    • Notas finais sobre isto de mudar de vida

      Notas finais sobre mudar de vida

       

      Com este artigo, em jeito de conclusão, quero deixar-te umas breves notas finais sobre o processo de mudança de vida que deves ter sempre em mente ao longo da tua jornada. Coisas que não surgiram até agora nos tópicos sobre mudança de vida mas que também são importantes.

       

      Também podes ver o vídeo:

       

      A mudança nunca acaba

      Nós estamos constantemente a mudar. Acontece todos os dias, mesmo que não seja percetível no imediato. Todos os dias temos experiências novas, conversas novas, algumas vezes com pessoas novas, apreendemos conhecimentos novos sobre o mundo, sobre os outros e, até, sobre nós.

      Portanto, devido a todos estes inputs de informação, a mudança nunca termina. Pode, claro, haver momentos da nossa vida em que isso seja mais evidente do que noutros, mas a verdade é que são as mudanças pequeninas, que fazemos todos os dias, que nos levam a grandes mudanças. As mudanças não acontecem de um dia para o outro. Pode até haver um dia em que percebemos que mudámos, mas isso é somente o reflexo de todo o processo que foi acontecendo, devagar, ao longo do tempo. Naturalmente, pode haver eventos específicos na nossa vida que, por serem muito marcantes, originem grandes mudanças num curto espaço de tempo, mas, por norma, a mudança é gradual e, por isso, nunca termina.

      No meu caso, por exemplo, quando eu pensava que já tinha realizado uma grande mudança na minha vida que culminou na minha demissão do meu emprego, no início de um negócio por conta própria e acabando por mudar completamente de área, depois acabei por mudar ainda mais. A minha mudança não parou a partir do momento que tomei a decisão de alterar o curso da minha vida. No último ano, com todo o processo de me lançar neste caminho do empreendedorismo, sinto que a minha mudança continua, quer seja com as pessoas que vou conhecendo, com o que tenho vindo a aprender ou com as experiências por que vou passando. Acredito, realmente, que esta mudança não vai ter fim. E ainda bem! Quero continuar a evoluir, a crescer enquanto pessoa, a aprender mais, a saber mais e a passar por novas experiências.

      A mudança é a única constante. Tudo o resto na nossa vida pode mudar, mas a mudança está sempre presente.

       

      Só consegues unir os pontos olhando para trás

      Às vezes, nestes processos de mudanças grandes, há alturas em que tudo está confuso. Não sabemos o que queremos, não sabemos qual o caminho que devemos seguir, não sabemos quem nos pode ajudar e sentimo-nos perdidos. Tudo isto é normal.

      Mas no final, tudo acaba por fazer sentido. O Steve Jobs falava em “unir os pontos” e tinha toda a razão. Mais à frente, na nossa vida, vamos perceber as razões pelas quais as coisas aconteceram de determinada forma e porque fizemos determinadas opções. A seu tempo, tudo há de convergir no mesmo ponto.

      Ainda que seja verdade que existam esses momentos mais desafiantes e de maior confusão, é preciso encararmos isso como fazendo parte do processo. O truque é não nos deixarmos levar pelo stress e pela ansiedade nessas alturas e colocarmos em prática estratégias e ferramentas que funcionem para nós. A escrita, por exemplo, pode ser uma boa técnica para nos ajudar a ganhar clareza.

      O importante é sabermos aceitar esses momentos de confusão com a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, vamos conseguir alcançar clareza.

      Naturalmente que isto é cíclico e, por isso, o mais provável é que essa clareza não dure para sempre, mas, aí, o que há a fazer é voltarmos a passar por todo o processo.

       

      Aproveita a jornada

      Aproveitar o processo da mudança permite-nos sentirmo-nos mais realizadas. Isto implica não estarmos constantemente à procura do fim do caminho. Procurarmos retirar aquilo que esta jornada tem de positivo passa também por valorizarmos o nosso esforço por lutarmos por aquilo que queremos atingir, sem querermos que tudo aconteça de um momento para o outro.

      Esta jornada de transformação é muito rica e, se estivermos atentos durante o processo, vamos receber insights muito interessantes – e importantes – sobre nós próprios, sobre a pessoa que somos, sobre a nossa essência e sobre aquilo que realmente queremos.

      Percorrermos este caminho sem pressa de chegar ao fim, àquele momento em que temos tudo resolvido – se é que esse momento realmente existe – é muito importante para nos sentirmos bem connosco e com as nossas decisões.

       

      Ao mudares estás a mudar o mundo

      No meio de todo o nosso processo de mudança, parece que o que estamos a fazer só nos diz respeito a nós. Podemos mesmo pensar que estamos a ser egoístas e a deixar os outros de parte ao preocuparmo-nos só com os nossos sonhos e com a nossa transformação. Mas a verdade é que, ao mudarmos, o mundo muda também.

      Tudo aquilo que fazemos tem impacto – mais ou menos visível – no mundo. Quando a nossa mudança é positiva, quer seja porque estamos a realizar uma atividade que nos preenche mais ou porque adotámos um estilo de vida que nos satisfaz mais, nós vamos, automaticamente, sentirmo-nos melhor, mais felizes e mais positivos. O mundo vai receber estas nossas energias e, só por isso, já vai ficar melhor. Ao fazermos o que pudermos para nos sentirmos bem, vamos estar a contribuir para um mundo mais feliz e mais positivo.

      Nunca nos devemos esquecer disto, pois é quando todos mudamos, um bocadinho de cada vez, que o mundo vai mudar também, de forma significativa. Um pouco de cada um faz a diferença no estado geral.

       

      Para terminar, deixo-te uma questão: há algum tópico que gostasses de aprofundar mais sobre este tema da mudança de vida? Terei todo o gosto em ajudar-te a saberes um pouco mais sobre aquilo que mais te interessa.

       

      Na conclusão desta série de artigos e vídeos sobre mudança de vida, deixo algumas notas finais de assuntos que ainda não cobri mas que também são importantes.

       

    • Self-skills essenciais para quem quer mudar de vida

      Self-skills

       

      Já ouviste falar em self-skills? Sabes o que são? Eu encaro as self-skills como competências que temos de ensinar a nós próprios e que temos de aprender por nós próprios.

      Quando iniciamos uma mudança de vida em direção a uma vida mais alinhada e à nossa maneira, estas self-skills têm um papel muito importante, pois vão ajudar-nos nesse percurso. E se algumas destas skills são muito óbvias, outras nem tanto.

       

      Vê também o vídeo:

       

      1 – Self-love e Self-care

      Esta é uma competência fundamental. No início de um projeto próprio, a nossa tendência é para passarmos o tempo todo a trabalhar, mais ainda se formos muito disciplinados. Pensamos que o nosso projeto é mais importante do que a nossa saúde e o nosso bem-estar, mas, a médio-longo prazo, este é um comportamento perigoso e arriscado. Ao colocarmos o nosso projeto acima do nosso próprio bem-estar estamos em risco de burnout ou até mesmo de nos saturarmos daquilo que estamos a fazer e que começámos porque, afinal, era a nossa paixão.

      Dar atenção ao self-love e ao self-care é então muito importante. Como podemos colocar em prática o self-love? Passa, sobretudo, por treinarmos o nosso amor próprio, independentemente da forma como o fazemos. Na minha opinião, o amor próprio é também uma mudança de mindset, com a substituição dos pensamentos de autocrítica por pensamentos de gentileza para connosco.

      Os hábitos de self-care, muito pessoais e específicos de cada um, também são essenciais. Tu sabes melhor do que ninguém o que te faz sentir bem contigo e o que podes fazer, todos os dias, para promoveres esse bem-estar.

      Não te esqueças de que saber parar é muito importante. Avalia o risco de overworking que estás a correr, mesmo que tenhas o tempo todo por tua conta, sem outras responsabilidades. Sabermos estabelecer um limite, e cumpri-lo, é fundamental. Se ainda não estabeleceste esse limite, fá-lo o quanto antes, por ti e pela tua saúde.

       

      2 – Auto-motivação

      Já expliquei a diferença entre motivação e disciplina e como a disciplina é necessária para quando a motivação se esgota. Mas quanto mais auto-motivação conseguirmos gerar, mais fácil se torna sermos disciplinados. Termos a capacidade de gerar motivação em nós próprios é, por isso, também muito importante. Mais cedo ou mais tarde, vamos sentir-nos desmotivados e vamos questionar-nos se o nosso esforço vale realmente a pena. Nestes momentos, colocarmos em prática estratégias, como estas de que já vos falei, para nos auto-motivarmos pode fazer toda a diferença.

       

      3 – Mindset

      É essencial focarmo-nos no que está certo e não no que corre menos bem. Quando estamos num processo de mudança de vida ou a iniciar um projeto ou qualquer outra coisa nova na nossa vida, é frequente haver coisas que não estão bem. Mas podemos procurar o equilíbrio, não ignorando aquilo que ainda não está tão bem quanto gostaríamos, mas, simultaneamente, colocando o nosso foco naquilo que já está bem, naquilo que está certo.

      Neste ponto, há duas áreas de foco que competem: aquilo que nós queremos, por um lado, e o medo, por outro. Muitas vezes, vivemos focados no medo, mas temos de mudar esse foco para aquilo que queremos. O medo existe, é um facto e não há problema que assim seja, mas não precisamos de lhe dar muita atenção. A nossa atenção e o nosso esforço devem direcionar-se para aquilo que queremos atingir e acreditarmos que vamos conseguir chegar onde queremos ajuda muito nesse processo.

      Tudo isto, dependendo do contexto, pode estar relacionado com a Lei da Atração, mas este é um tema a que poderei voltar noutra ocasião, se tiveres interesse.

       

      4 – Não-comparação

      Quando nos comparamos com outros, esquecemo-nos de que só temos acesso a uma parte da jornada das outras pessoas, à parte que está visível. Compararmos todo o nosso percurso, todas as nossas dificuldades e conquistas, àquilo que a outra pessoa mostra e que, obviamente, é apenas uma pequena parte da sua realidade, não é uma atitude que possa promover o nosso crescimento. Pelo contrário, acabará por gerar frustração, desmotivação e desânimo.

      Lembra-te de que o nível de conhecimento que temos em relação à nossa realidade é completamente diferente do nível de conhecimento que temos em relação à realidade dos outros. Não são dimensões comparáveis.

      Sugiro-te que, sempre que deres por ti a fazer este tipo de comparações, traves esses pensamentos. Eles não te vão levar mais longe, nem te vão permitir evoluir. Claro que podemos olhar para os outros e para o que eles fazem, inspirarmo-nos no seu exemplo, e até encará-los como uma fonte de motivação, mas nunca de comparação.

       

      5 – Rituais

      Este é o último ponto de que que te quero falar, pois os rituais, mesmo que inconscientemente, assumem um papel muito importante no nosso dia a dia. Os rituais existem desde sempre e ainda que nós, no mundo moderno, os evitemos, a verdade é que os rituais estão por todo o lado, nomeadamente nos relacionamentos que temos uns com os outros. Pensa nos teus relacionamentos mais próximos e estou certa de que encontrarás um ou outro ritual que manténs com alguém, seja na forma de cumprimentar ou seja numa frase específica que dizes a alguém em particular.

      Os rituais que mantemos connosco são, de igual forma, fundamentais. Procura criar rituais na tua vida que promovam o teu bem-estar. Pode ser uma caminhada diária, uns minutos de journaling, exercício físico, ir almoçar fora uma vez por semana ou tomar café com uma amiga. Tudo isto são rituais que podes integrar na tua rotina e que te vão ajudar a sentires-te mais motivado e com mais energia. Escolhe aqueles que mais façam sentido para ti.

      Outro ritual são os hobbies, muito importantes, também. Os hobbies devem ser efetivamente hobbies e, como tal, completamente diferentes do nosso trabalho. Os hobbies não devem ter objetivos. Por exemplo, o meu hobbie mais recente é a dança e os meus únicos objetivos quando vou a uma aula de dança são divertir-me e descontrair. O único objetivo que um hobby deve, realmente, ter é promover o nosso bem-estar.

       

      Estas são as self-skills que eu considero fundamentais num processo de mudança de vida. Diz-me, qual delas precisas de trabalhar?

       

      Para uma mudança significativa de vida, há algumas self-skills que são essenciais e que devemos treinar para que tudo corra pelo melhor.

    • Fazer Mais e Melhor com Hábitos, Disciplina e Planeamento

      disciplina e planeamento

       

      Quando embarcamos numa grande mudança de vida, os nossos hábitos e a disciplina assumem um papel muito importante. Este é um tema do qual já falei aqui. Mas esta temática é ainda mais relevante quando iniciamos um negócio por conta própria, pois se não houver disciplina maior será a probabilidade de as coisas não correrem bem.

      Naturalmente que a facilidade com que colocamos em prática a disciplina é proporcional à nossa capacidade e implementar novos hábitos. Além disso, para sermos disciplinados, temos de saber o que fazer e, para sabermos o que temos de fazer, temos de ter um plano, saber quais as tarefas que fazem parte desse plano e o que é que temos de executar para fazer o plano acontecer. Daí estes três aspetos estarem intimamente ligados.

       

      Também podes ver o vídeo:

       

      1 – Hábitos

      Já falei sobre este tema noutras ocasiões e, mais concretamente, no episódio 3 do podcast Lifestyle by Design encontram várias sugestões detalhadas de como implementar novos hábitos de uma forma consistente e integrada na vossa rotina habitual.

       

      2 – Disciplina

      A criação de hábitos torna a disciplina mais fácil, mas temos de criar os hábitos certos. Hábitos e disciplina estão muito relacionados, mas a disciplina é muito mais do que isso. Um aspeto dos mais importantes a ter em consideração na disciplina e numa mudança de vida é que o arranque de qualquer coisa, seja um projeto pessoal ou trabalho, demora tempo. Este processo de mudança de vida e de implementação de novos hábitos deve ser encarado como uma maratona e não um como um sprint.

      Tudo isto está relacionado com o conceito de vida intencional, ou seja, vivermos de acordo com os nossos valores e em direção a uma visão específica para o nosso futuro. É um caminho que estamos toda a vida a percorrer, pois as nossas visões para o futuro são, na verdade, inalcançáveis, não por não conseguirmos chegar lá mas porque quando chegamos à nossa visão atual para o futuro, já teremos uma nova visão para o futuro daí em diante. É, portanto, uma viagem sem fim que implica um trabalho constante. E é por isso que quando falamos de mudança de vida, de disciplina e de vida intencional, não falamos de algo que possamos encarar como temporário. Estamos a falar de mudanças para a vida toda.

       

      Motivação e disciplina

      Muitas pessoas acreditam que, para se ser disciplinado, é preciso estarmos sempre altamente motivados, mas não é bem assim. Há uma diferença entre motivação e disciplina. A motivação é quando temos vontade de fazer algo. A disciplina é quando não temos vontade de fazer, mas, mesmo assim, fazemos. Um bom exemplo disto é quando começamos um plano de exercício físico. No início, estamos motivados, queremos realmente fazer aquilo e vamos cheios de vontade para o treino. Quando, com o tempo, a motivação se começa a esbater, é o momento para colocarmos a nossa disciplina em ação. Aí, vamos na mesma para o treino, mesmo não nos apetecendo.

      A disciplina é extremamente importante quando a nossa motivação quebra e, por isso, precisamos das duas: da motivação para arrancar com um projeto (seja ele de que natureza for) e da disciplina para manter esse projeto em andamento a médio e/ou longo prazo.

      O ciclo nas pessoas que não têm autodisciplina é:

      Motivação –> falha na motivação –> falha na execução –> desistência.

      Por outro lado, nas pessoas que têm essa autodisciplina, o ciclo é:

      Motivação –> falha na motivação –> disciplina em ação –> continuidade na execução.

      A disciplina, no fundo, mais não é do que tomar a decisão de que vamos efetivamente fazer algo. A partir do momento em que essa decisão está tomada é para seguir com ela em frente.

      É por tudo isto que a disciplina é fundamental na fase inicial de um projeto ou numa nova fase de vida. Falarei mais sobre este tema em breve. Fiquem atentos.

       

      3 – Planeamento

      Para sermos disciplinados, precisamos, como já referi, de saber o que temos para fazer. Por isso, quando iniciamos um projeto novo, é indispensável traçarmos objetivos específicos e comprometermo-nos com esses objetivos.

      De salientar que os objetivos devem ser mais de processo do que resultados. Estes objetivos são importantes para sabermos o que devemos estar a fazer a cada momento.

      Além disto, é muito útil definir planos e objetivos de atuação a cada 90 dias, ou seja, por trimestre. Definir objetivos para um prazo mais alargado já pode gerar algumas dificuldades para mantermos o foco, sobretudo em processos de mudança em que tudo se altera com alguma rapidez ao longo do tempo. Podemos, naturalmente, ter objetivos para um período mais alargado, mas estes não devem ser tão específicos e não precisam de fazer parte do nosso dia a dia.

      Outra coisa que é importante frisar é que é normal as coisas falharem e é normal não obtermos resultados imediatos. E isto pode mesmo prolongar-se durante algum tempo.

      Quando falamos de criar um negócio, os resultados podem, de facto, demorar a aparecer e o primeiro ano, inclusivamente, pode ser complicado, porque o retorno financeiro esperado pode demorar a surgir. Isto pode dever-se a inúmeros fatores, seja pela forma como estamos a comunicar ou por alguma falha no alinhamento do projeto, por exemplo. É preciso estarmos preparados para o facto de o sucesso não surgir de um momento para o outro.

      Por vezes, ao acompanharmos à distância projetos de outras pessoas, pode parecer-nos que o seu sucesso surgiu repentinamente, mas a verdade é que desconhecemos totalmente todo o trabalho que está por trás daquele sucesso e aquilo que, afinal, parece ter surgido de um dia para o outro tem sempre muito trabalho na sua base e não foi tão repentino quanto nós pensamos.

      Aqui está mais uma razão pela qual que é fundamental trabalharmos a disciplina. Quando o projeto não traz, logo à partida, os resultados que gostaríamos, é natural que a motivação comece a decair. Sermos disciplinados vai ajudar-nos a mantermo-nos focados no projeto e no trabalho que estamos a desenvolver.

       

      Quais são as tuas maiores dificuldades na fase inicial de um projeto? Colocas em prática estratégias que te ajudem na implementação de hábitos que te facilitem uma vida mais disciplinada e alinhada com a tua visão para o futuro?

       

      Porque é importante criar hábitos, ser-se disciplinado e fazer um bom planeamento quando se está a iniciar uma nova fase de vida ou um novo projeto.

    • Mudar de Vida: O Medo

      medo de mudar de vida

      Na sequência da série sobre Mudar de Vida, chegou a altura de falar sobre o medo e sobre como enfrentar obstáculos, pois este é, muitas vezes, um fator paralisante e que impede muitas pessoas de irem atrás dos seus sonhos.

       

      Também podes ver o vídeo:

       

      O medo é normal

      Em primeiro lugar, é preciso termos consciência de que é muito normal sentir-se medo quando pensamos e nos preparamos para uma mudança de vida, sobretudo quando esta é significativa. Por não sabermos o que vem a seguir nem o que vai acontecer, acreditamos que estamos a assumir um risco e, então, o medo está sempre muito presente. Tudo isto é normal.

      Mas, como também já referi, é importante não ficarmos à espera de que o medo desapareça para entrarmos em ação. O medo vai estar sempre presente e isso deixa de ser um problema quando conseguimos aprender a viver com ele.

      Na verdade, o medo existe para nos proteger, tem que ver com o nosso instinto de sobrevivência e avisa-nos quando algo poderá não correr bem e existe para nos impedir de fazermos coisas que podem colocar em causa a nossa integridade. Por isso devemos até dar as boas-vindas ao medo!

      Quando nos encontramos num processo de mudança de vida, acredito que o medo está, sobretudo, associado à rejeição por parte de um grupo. Com a mudança que perspetivamos fazer, passamos a ser diferentes do grupo onde habitualmente estamos inseridos e, como tal, deixamos de pertencer a esse mesmo grupo ou comunidade. Isto tem uma justificação histórica. Basta pensarmos que nas comunidades pré-históricas essa pertença era fundamental para a sobrevivência dos seus elementos. Nessa altura, ser-se excluído da comunidade podia mesmo representar a não sobrevivência.

      Contudo, atualmente, com a evolução da sociedade, isto já não faz sentido, porque, por um lado, nunca seremos totalmente excluídos da sociedade, e por outro, ao mesmo tempo que deixamos de nos identificar com um determinado grupo, passamos a identificar-nos mais com outro. Portanto, há sempre um grupo que nos pode acolher e do qual nos sentiremos parte integrante.

      Por tudo isto, ainda que o medo exista, não temos de lhe dar ouvidos e podemos fazer acontecer, apesar dele.

       

      Medo da opinião dos outros

      Pensamos muito naquilo que os outros vão pensar das nossas decisões e ter medo disso também é normal neste processo.

      Mas já paraste para pensar qual a real influência que o que os outros pensam de ti terá na tua decisão e na tua vida? Pergunta-te: O que é que aquilo que os outros pensam diz sobre ti?

      Muitas vezes, a opinião que achamos que os outros vão ter só existe na nossa cabeça. Com exceção daqueles que nos são muito próximos, o mais provável é que os outros nem sequer estejam interessados, e muito menos preocupados, com aquilo que vamos fazer com a nossa vida. É algo que só nos diz respeito a nós.

      E, mesmo que pensem alguma coisa sobre isso, qual é o problema? É só a opinião deles e isso não tem (ou não deve ter) qualquer impacto na tua vida. No fundo, a opinião deles, a existir, só terá o peso que tu lhe atribuíres.

       

      Medo de falhar

      Este é um medo muito real. Quando estamos a mudar para uma coisa nova, que não conhecemos, a possibilidade de falharmos é real. Ao sentirmos este medo, devemos relembrarmo-nos da importância de termos um mindset de crescimento que nos assegura que falhar faz parte do processo. Só falhando podemos evoluir, só percebendo o que estamos a fazer mal é que podemos melhorar.

      Portanto, falhar é possível, é verdade, mas não é crítico nem precisa de significar que estás a ir pelo caminho errado. Pode, simplesmente, significar que não estás a usar a estratégia certa ou que ainda tens mais coisas para aprender. Nem sequer quer dizer que não devas continuar a insistir. Não nos podemos esquecer que é das nossas falhas que vamos retirar informação valiosa para podermos adaptar e otimizar a estratégia que estamos a usar.

      A falha faz parte do processo. Isto é inegável e quem evita a todo o custo a falha, permanece na sua zona de conforto. É irrealista pensarmos que faremos sempre tudo bem à primeira tentativa, mas permitirmo-nos falhar e aprender com isso é o que nos permite evoluir.

       

      Medo do sucesso

      Todos estes medos nos remetem para um outro conceito: a resistência. Este conceito está presente no livro The War of Art, do Steven Pressfield. A resistência pode traduzir-se em procrastinação, evitando que faças o que tens a fazer para não falhares.

      A resistência pode também surgir pelo medo do sucesso e daquilo que ele possa implicar. Pode parecer estranho, afinal, sucesso é aquilo que, à partida, todos gostaríamos de alcançar. Mas o sucesso implica responsabilidade e, mesmo que inconscientemente, nem sempre nos consideramos preparados para assumir tudo o que ele envolve.

      Devemos, por isso, estar atentos à resistência e à procrastinação e tentarmos ir percebendo o que nos está a impedir de fazermos aquilo que queremos.

      Muitas vezes, a procrastinação está relacionada com crenças que trazemos connosco como “Não sou boa o suficiente” ou “Já existe tanta gente a fazer isto que quero fazer, para quê esforçar-me?”. Quando percebemos que isto está a acontecer, que estamos a dizer isto a nós próprios, devemos parar e pensar nas razões que estão na base desta procrastinação. Só assim conseguiremos desbloquear estas crenças e avançar.

       

      Medo de não atingir a perfeição (ou perfecionismo)

      Temos tanto medo de falhar que queremos que tudo fique perfeito. Mais uma vez, surge a resistência, aqui associada ao perfecionismo. Temos medo de falhar, medo da crítica dos outros, medo de não sermos bons o suficiente e, então, procuramos o perfeccionismo. Mas a verdade é que o perfeito não existe. É inalcançável.

      Por isso, é importante mantermos uma mentalidade de risco e, mesmo sentindo que não está perfeito, fazermos acontecer e darmo-nos a conhecer. Confesso que isto também acontece comigo, em algumas das coisas que faço. Mas obrigo-me a seguir em frente, apesar disso, pois sei que para melhorar preciso de fazer muitas vezes. Por isso, continuo a fazer, pois acredito que só assim posso evoluir e fazer cada vez melhor.

       

      Fear Setting

      Proponho-vos agora um exercício, o Fear Setting, que o Tim Ferriss sugeriu numa das suas TED Talks, para quando estamos frente-a-frente com este medo.

      1- Pensa em algo que queres muito fazer, mas que, por algum motivo, tens medo.
      2- Pergunta-te:
      – O que é o pior que pode acontecer?
      – O que posso fazer para prevenir que este cenário se verifique?
      – Se, mesmo prevenindo, o pior acontecer, o que posso fazer para corrigir a situação?

      Ao fazermos este exercício, percebemos que o pior que pode acontecer não é assim tão mau e que, além disso, ainda conseguimos tomar medidas para corrigir esse cenário. Isto ajuda-nos a relativizar o medo. Experimenta e depois conta-me como te ajudou.

       

      E tu, tens medo de mudar de vida? Se mudares, o que é o pior que pode acontecer?

       

      Dentro da série sobre Mudar de Vida, tinha de falar sobre o medo. O medo faz parte de qualquer processo de mudança mas podemos aprender a lidar com ele.

    • 5 Coisas que percebi depois dos 30 e que mudaram a minha vida

      depois dos 30

       

      Há certas coisas que vamos percebendo ao longo da vida, através de experiências, contacto com novas realidades e com novas pessoas, falhas e aprendizagens, e que acabam por mudar o rumo da nossa vida. Isoladamente podem parecer coisas pequenas, mas todas juntas podem originar um turbilhão dentro de nós e fazer-nos perceber que, afinal, o nosso caminho é outro.

       

      1 – Condicionamentos

      Percebi que todos somos sujeitos aos mais variados condicionamentos ao longo das nossas vidas, principalmente durante a infância e adolescência, quando somos mais influenciáveis. É inevitável e não faz mal nenhum, mas é importante estarmos conscientes disso para podermos mudar. Enquanto não tomarmos consciência que estes condicionamentos existem, vamos continuar sempre presos a eles. A partir do momento que reconhecemos isto podemos, em primeiro lugar, trabalhar para percebermos o que nos condicionou e, numa fase posterior, trabalhar para nos libertarmos destes condicionamentos. Pode ser, com certeza, um processo lento, mas enquanto não o começarmos é quase como se não começássemos a viver. Só “descondicionando” conseguimos ficar abertos a outras realidades e possibilidades.

       

      2 – Arrependimentos

      Percebi que, mesmo depois dos 30, a minha vida ainda não acabou. Há uma coisa que me arrependo muito de nunca ter feito: explorar mais o mundo. Não é algo a que tivesse fugido, mas simplesmente nunca se deu naturalmente e eu nunca despendi o esforço necessário para a fazer acontecer. Se neste momento já sinto este arrependimento, pergunto-me como será quando tiver 70 ou 80 anos. É preferível viver com este arrependimento para o resto da vida ou perceber que ainda há tempo e fazê-lo então? Por isso mesmo, vou fazê-lo. E é tão simples que nem sequer existe alternativa.

       

      3 – Oportunidades

      Percebi que o mundo de hoje é diferente daquele que existia há 15 ou 20 anos, não apenas para os jovens que estão agora a iniciar a sua vida adulta, mas para mim também (e para qualquer pessoa). Existem profissões que não existiam, existem formas de comunicarmos uns com os outros que não existiam, existem facilidades de nos deslocarmos por todo o mundo que não existiam. Existe a possibilidade de criarmos a vida que queremos, se estivermos dispostos a trabalhar para isso. Escolhi o que queria estudar aos 18 anos, decidi fazer um doutoramento aos 23, e comecei a trabalhar aos 28. Não é por ter estado durante 14 anos a percorrer o mesmo caminho que tenho de continuar a percorrê-lo para o resto da vida. O mundo está cheio de oportunidades, não só para quem tem 18 ou 20 anos mas para qualquer um. E se eu escolher aproveitar as novas oportunidades que o mundo oferece, agora depois dos 30, ainda vou muito a tempo. Qualquer um de nós vai a tempo.

       

      4 – Capacidades

      Percebi que as capacidades que me fizeram chegar longe numa determinada área de conhecimento podem fazer-me chegar tão ou mais longe noutra área qualquer que eu escolha. Era muito boa naquilo que fazia, não porque tivesse um dom qualquer para aquilo, mas porque sou inteligente e esforço-me (e atenção, tanto a inteligência como a capacidade de trabalho podem ser construídas em qualquer pessoa – voltamos ao mindset de crescimento). Estas minhas capacidades são aplicáveis noutra qualquer área, por isso sei que o que quer que eu escolhesse fazer a seguir, tenho as capacidades necessárias para ser excelente.

       

      5 – Sucessos

      Percebi que há várias definições de sucesso e aquilo que representa sucesso para mim pode não o ser para outra pessoa qualquer. E não há mal nenhum. O importante é que eu continue a tentar alcançar a minha definição de sucesso. Seja ela qual for. Mais ainda, ao longo das nossas vidas, a nossa própria definição de sucesso também pode ir mudando. Trata-se apenas de ir ajustando o nosso caminho de forma a irmos nessa nova direção.

       

       

      No fundo, cada um destes pontos está ligado aos outros todos e quase que cada um deles engloba os outros de uma forma implícita. E o que isto realmente quer dizer é que é possível mudar de vida – ligeira ou radicalmente – a qualquer momento, desde que, lá está, estejamos dispostos a trabalhar para isso. Porque sim, é preciso trabalho, muito até. Mas ninguém disse que ia ser fácil.

       

      Estas realizações, todas em conjunto, mudaram mesmo a minha vida. Não só mudaram a maneira como vejo o mundo mas também aquilo que quero para mim.

       

      E tu, quais as principais realizações que te fizeram mudar de vida ou ver o mundo de outra forma?

       

      Há certas coisas que vamos percebendo ao longo da vida e que acabam por mudar o seu rumo. E mesmo depois dos 30, ou de qualquer outra idade, ainda há tempo!

    • Mudar e Encontrar o Propósito de Vida

      Propósito de vida

       

      Cada vez vejo mais pessoas a chegarem à conclusão que querem mudar de vida. Porque percebem que não estão a viver de forma alinhada com os seus valores, porque procuram outro estilo de vida, porque estão saturadas de fazerem aquilo que não gostam.

       

      Mas vejo também muitas pessoas com dificuldades em decidirem o que fazer a seguir. Eu também já vivi essa dificuldade e acredito que consigo trazer alguma luz para este assunto do propósito d e vida.

       

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      Quero começar por partilhar algumas ideias relativas a isto do propósito de vida.

       

      Em primeiro lugar, quero já deixar bem claro que não gosto de lhe chamar “propósito de vida”. Acredito que aos 18 anos, quando todos temos de tomar uma grande decisão em relação ao nosso futuro e às nossas carreiras, é-nos colocada uma pressão acrescida por nos ser transmitida a ideia de que esta é uma decisão para o resto da vida. Isto não é verdade, ou não se falaria tanto sobre mudança de vida.

       

      Ao atribuirmos ao nosso propósito a característica de ser “de vida” estamos a cometer exatamente o mesmo erro e a colocar demasiado preso nesta decisão. Em vez disso, prefiro ver o propósito da seguinte forma:

      • podemos ter vários propósitos ao longo da vida, ir realizando uns e encontrando outros novos
      • o propósito pode ser algo que queremos fazer nos próximos tempos, não necessariamente para o resto da vida. Mesmo quando passamos por uma grande mudança de vida, não significa que essa mudança tenha de ser permanente. Podemos voltar a mudar as vezes que quisermos.

       

      Além disso, um propósito pode ser executado de variadas formas, dependendo da pessoa, das suas preferências e da altura da sua vida. Por exemplo, o meu propósito, neste momento, é ajudar a concretizar grandes sonhos, exatamente por acreditar, como já expliquei anteriormente, que todos os sonhos são possíveis de realizar. Eu poderia executar este propósito de várias formas, e escolhi traduzi-lo na minha missão de ajudar as pessoas a viverem de forma mais intencional, seja através da criação dos seus próprios negócios, ou de um melhor alinhamento com os seus valores individuais.

       

      Mas então como descobrir o que fazer a seguir? Na minha perspetiva, esta descoberta passa por trabalhar dois grandes campos.

       

      1 – Aprofundar o auto-conhecimento

      Eu estou sempre a dizer que o auto-conhecimento é a grande base para isto tudo e é mesmo. Sabermos coisas como os nossos valores individuais, a nossa noção de sucesso, o que nos motiva, os nossos talentos e habilidades naturais, ajuda muito a descobrir onde nos poderíamos sentir melhor.

      Desenvolver a nossa visão para o futuro também é muito importante. Pode ser difícil porque, lá está, ainda não sabemos o que vamos fazer a seguir, mas há coisas que podemos ir pintando na nossa visão para o futuro, como o estilo de vida que gostaríamos de ter, independentemente do tipo de trabalho que estaremos a fazer, o local onde gostaríamos de viver, entre outras coisas.

      Quando todo este conhecimento é trabalhado a fundo, a conclusão sobre o que vamos fazer a seguir torna-se quase evidente. É uma conclusão lógica.

       

      2 – Experimentar muitas coisas

      Esta é outra das coisas que eu costumo dizer: não vamos descobrir o nosso propósito sentados no sofá à espera que ele simplesmente apareça.

      A maior parte das pessoas que tem esta dificuldade de decidir o que fazer a seguir, sente-a porque tem vários interesses e consegue imaginar-se a fazer várias coisas. Então, é preciso começar a experimentar todas essas coisas e ver o que funciona melhor para nós.

      Há coisas que podem ser difíceis de experimentar na totalidade, mas podemos procurar realizar uma das partes desse trabalho para ver como nos damos com ela, por exemplo, tentando incorporar essas partes ou algumas tarefas nos nossos hobbies. Podemos também procurar alguém que faça um trabalho igual ou parecido com o que nos vemos a fazer e pedir para acompanhar essa pessoa durante um dia ou apenas umas horas.

      Ao executar estas tarefas e experimentar os diferentes interesses, é importante estarmos atentas a algumas coisas:

      • O que é que nos deu mais prazer? O que nos fez vibrar mais?
      • O que desperta em nós mais auto-confiança?
      • Em que tarefas nos sentimos mais expansivos?
      • Em que tarefas entramos em estado de flow? (aquele estado em que nem damos pelo passar do tempo e estamos totalmente focados)
      • Aprender a ouvir a nossa intuição e a perceber como nos sentimos relativamente a cada interesse.

       

       

      Tu já encontraste o teu propósito ou aquilo que vais fazer a seguir? Deixa nos comentários ou diz-me onde estás a encontrar mais dificuldades.

       

      Perante uma grande mudança de vida, muitas vezes, ficamos perdidos à procura do nosso propósito de vida. Mas pode ser mais fácil do que imaginamos!

    • Vida de sonho – Sabias que podes criar a tua?

      Vida de sonho

       

      Continuamos a falar sobre mudar de vida por aqui. E desta vez, quero mostrar-te que podes criar a vida dos teus sonhos e de algumas coisas de que vais precisar para o fazeres.

       

      Eu acredito que é possível cada um de nós viver a sua vida de sonho, sim. Eu acredito que todos os sonhos se podem tornar realidade. E o meu objetivo para hoje é convencer-te disso mesmo.

       

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      Há algumas coisas que precisas de saber e de fazer para poderes criar a vida dos teus sonhos.

       

      1 – Assume a responsabilidade pela tua vida

      A primeira coisa que tens de fazer para poderes criar a vida dos teus sonhos é tomar consciência que a tua vida é responsabilidade tua. Para o bem e para o mal. Ou seja, assume a responsabilidade pelo estado em que a tua vida se encontra no momento. Mas se quiseres mudar algo, fica a saber que só depende de ti. Podes tornar realidade qualquer sonho que tenhas, só precisas de entrar em ação e fazer acontecer. Garanto-te que é possível e que está nas tuas mãos. Podes precisar de muito trabalho, podes até precisar de procurar ajuda, mas é possível.

      E se começares a perceber pensar que vai dar muito trabalho tornar os teus sonhos em realidade, então tens de parar para pensar “É mesmo isto que eu quero? Quero realmente ter este trabalho todo para viver a minha vida de sonho?”

      Se a tua resposta for “sim”, então entra logo em ação. Dá um primeiro passo, por mais pequenino que seja, em direção à concretização desse sonho. Se a tua resposta for “não”, tudo bem, é porque esse não é realmente o teu sonho. Mas então assume que foi uma decisão consciente, não deixes de assumir a responsabilidade pelo caminho que a tua vida vai tomar.

       

      2 – Cultiva um Mindset de Crescimento

      É lógico que para acreditares que podes tornar qualquer sonho em realidade é também necessário que acredites que podes aprender qualquer coisa e evoluir enquanto ser humano. E então voltámos ao Mindset de Crescimento, que explorei a fundo no último episódio do podcast.

      Acredita que és capaz de seguir qualquer direção que queiras para a tua vida. Que és capaz de evoluir em qualquer área, de adquiri qualquer skill. Claro que umas vão dar mais trabalho do que outras, mas é aí que tens de avaliar se o trabalho associado com cada um dos teus sonhos vale realmente a pena. Se valer a pena, siga em frente!

       

      3 – Acredita que é possível realizar qualquer sonho

      Se não acreditares que é possível, então não será possível. É preciso que acredites que é possível PARA TI.

      Se não acreditas e queres passar a acreditar, então muda os teus pensamentos. Treina-te, treina o teu mindset para começares a acreditar. E procura também provas de que é possível. Inspira-te em pessoas que viva de forma semelhante àquilo que tu sonhas para ti. Percebe que se essa pessoa foi capaz, tu também serás capaz. Não tens menos valor nem menos mérito do que essa pessoa. E lembra-te, és capaz de evoluir em qualquer direção.

      E lembra-te: viver a vida dos nossos sonhos não significa que não tenhas problemas. Uma vida ideal não equivale a uma vida perfeita (isso não existe) e todos nós continuamos a ter problemas, a passar por dificuldades e a ter de enfrentar obstáculos.

       

      4 – Constrói uma visão para o futuro

      Claro que para realizares a tua vida de sonho tens de saber como é essa vida de sonho para ti. Como é que idealizas a tua vida de sonho? Que estilo de vida seria o ideal para ti? Como gostarias que fosse a tua vida daqui a um ano? E daqui a cinco anos? Então e daqui a dez anos? Começa a trabalhar nesta visão para o futuro para que possas saber quais são os passos certos para lá chegares. Quando não sabemos para onde queremos ir, qualquer caminho serve.

      A construção desta visão para o futuro tem de ser um esforço consciente, não irá surgir do nada. E para o fazeres, deves continuar a trabalhar no teu auto-conhecimento, aprofundar cada vez mais o teu conhecimento de ti, perceberes aquilo a que realmente dás valor. Quando te conheces bem, coisas como a visão para o futuro ou o propósito ficam quase automaticamente definidas.

       

      5 – Não coloques demasiada pressão sobre ti própria

      Mas atenção: não precisas de ter já o quadro completo. Podes ir pintando esta visão de futuro aos bocadinhos. Haverá alguns detalhes que já podes saber, e outros que ainda não e não faz mal nenhum. À medida que vais começando a percorrer o caminho, os restantes detalhes vão surgindo naturalmente. Lembra-te que não precisas de ver o topo da escada para subires o primeiro degrau.

      Por isso não coloques demasiada pressão sobre ti própria para saberes já tudo o que queres concretizar. E muito importante: não esperes até saberes tudo para entrares em ação. É a entrada em ação que te vai ajudar a completar o quadro da tua vida ideal, por isso começa a executar já. Basta saberes alguns pormenores da tua vida de sonho para poderes começar a dar passos nessa direção, o resto vai-te surgindo ao longo do caminho.

       

      6 – Aprende a ouvir a tua intuição

      A tua intuição não é mais do que o teu inconsciente a falar contigo. E o teu inconsciente tem tanta informação armazenada à qual tu não tens acesso de forma consciente que é mesmo muito importante que aprendas a estar em contacto com esta parte de ti.

      Práticas como a meditação e o journaling, que costumo recomendar a toda a gente, ajudam muito a aprender a ouvir a intuição.

      Aceita o meu desafio de 21 dias de journaling para auto-reflexão e começa já a conhecer-te melhor.

       

       

      Então e agora, já estás preparada para ires atrás da vida dos teus sonhos? Comenta este artigo se estiveres pronta para entrar em ação!

       

      Será que é possível viveres a tua vida de sonho? Eu estou aqui para te dizer que sim, é possível, e para te dar algumas dicas sobre como podes chegar lá.

    • Como podes mudar a tua identidade individual para concretizares os teus maiores sonhos

      Há duas formas de o teu futuro acontecer:

      1. Deixares que o ele aconteça
      2. Assumires o controlo em relação a ele

       

      Identidade Individual

       

      A maior parte das pessoas escolhe a primeira opção. Melhor dizendo, nem sequer escolhe, simplesmente não pensa muito no assunto, acabando por seguir com a primeira opção. Eu própria vivi assim durante muitos anos. Achava que não. Achava que o facto de ter escolhido o meu curso de engenharia, e de ter decidido prosseguir para o doutoramento, e ter procurado o emprego “dos meus sonhos” como cientista, e tê-lo conseguido, significava que tinha tudo sob controlo e que estava a conduzir a minha vida na direção que mais desejava. E depois apercebi-me que afinal não. Apercebi-me que muitas das decisões que tomei ao longo da vida foram completamente condicionadas por fatores externos e por paradigmas que eu própria tinha imposto a mim mesma sobre o que era o sucesso e a felicidade. E percebi que adorava aquilo que fazia, mas que não era bem aquilo que era suposto eu fazer para o resto da minha vida.

       

      Descoberta

      Foi preciso um grande trabalho de exploração interna e auto-conhecimento para mudar para a opção 2. Tudo começa com o auto-conhecimento. Sem sabermos exatamente aquilo que queremos, nunca vamos conseguir alcançar o nosso maior potencial. Por isso, primeiro é sempre preciso fazermos aquilo que for necessário para descobrirmos quem somos e aquilo que queremos. Só a partir daí poderemos começar a trabalhar para o conseguirmos. Isto não quer necessariamente dizer que tenhamos de saber exatamente aquilo que vamos fazer até ao fim das nossas vidas. Apenas que precisamos de saber muito bem qual é a próxima coisa que queremos alcançar e da qual necessitamos para sermos felizes e para caminharmos na direção em que queremos levar o nosso futuro.

       

      Há várias formas de descobrirmos quem somos e o que realmente queremos. No meu caso, penso que algo que contribuiu muito para o auto-conhecimento foi passar tempo sozinha. Gosto muito de estar com outras pessoas, pessoas que me fazem bem e com quem gosto de passar tempo, mas também sempre gostei muito de estar sozinha. Sempre fiz questão de ter momentos dedicados apenas a mim, e a verdade é que no início da minha jornada de mudança, por circunstâncias da vida, não foi preciso muito esforço para isso acontecer. Tive a oportunidade de explorar as minhas paixões, aquilo que me motiva e aquilo que me faz feliz. Passeios a sós pela natureza, ou mesmo pela cidade, horas a ler coisas que despertam o nosso interesse, até mesmo passar tardes a explorar a internet deixando fluir aquilo que mais chama por nós e pela nossa curiosidade, pode levar a grandes descobertas. Como se costuma dizer, se há algo que consegues passar horas a fazer sem qualquer esforço, nem dás pelo tempo a passar e até te esqueces de comer, então deve haver aí alguma coisa de muito importante e interessante para ti.

       

      Explorar coisas fora da nossa “zona de conforto” é também muito importante. Se eu não tivesse feito isso, duvido muito que o tempo passado sozinha tivesse servido para alguma coisa. Expormo-nos a tudo o que possa causar-nos interesse, assim como a algumas coisas mais out of the box leva-nos a descobrir coisas em nós que nem sabíamos que lá estavam. Experimentar, passar tempo com pessoas que fazem outras coisas e que vivem outras realidades, ver sítios novos, tentar atividades e hobbies diferentes, são coisas extremamente enriquecedoras e que podem muito bem revelar-se como life changing.

       

      Outras atividades, como a meditação, a escrita livre, ou mesmo viajar, também podem levar-nos a descobrir novos interesses ou motivações que desconhecíamos existirem. Vale tudo o que achem que possa ajudar-vos a conhecerem-se melhor, bem como aos vossos sonhos, vale a pena tentar.

       

      Implementação

      Depois de sabermos o que queremos fazer, chega então a hora de começar a implementar. Nesta implementação podem incluir-se dois conjuntos de atividades diferentes:

      A) Passos práticos para que a mudança se dê
      B) Alteração da identidade individual de forma a incorporar o novo paradigma

       

      No conjunto A estamos a falar de ações muito objetivas para alcançar uma meta. Por exemplo, se o objetivo for perder peso, podemos começar por procurar informação em relação ao que devemos comer e ao estilo de vida que devemos adotar, começar a tentar estabelecer hábitos que incorporem esses alimentos e esse estilo de vida, e tentar eliminar outros que possam estar a afastar-nos do nosso objetivo. Noutro exemplo, se o objetivo for uma mudança de carreira, podemos começar por procurar algumas oportunidades de formação na nova área, tentar ler artigos, livros ou outros conteúdos relacionados com o novo tópico do nosso interesse. Do conjunto B já vou falar um pouco mais à frente.

       

      O problema na implementação de grandes mudanças de vida é que a maior parte das pessoas se foca apenas no primeiro conjunto de atividades. Mas a realidade é que o primeiro sem o segundo raramente funciona, principalmente quando estamos a falar de mudanças de vida muito grandes, como podem ser os dois exemplos que referi, entre outros.

       

      Se o estilo de vida saudável for eternamente aquilo que estou a tentar fazer mas que representa um esforço da minha parte, ou se a mudança de carreira for para sempre aquilo que um dia eu irei fazer, então mais cedo ou mais tarde a força de vontade vai esgotar-se e vamos acabar por desistir. Todos já passámos por isso. Não é fácil continuarmos a ir, todos os dias, contra aquilo que somos ou que achamos que somos. E já é do conhecimento geral, no seguimento de diversos estudos, que a força de vontade funciona como um músculo. Isto significa que não tem uma capacidade infinita. Quem faz musculação sabe que há um número finito de repetições que podemos fazer com um determinado músculo, e que após esse número o músculo estará de tal maneira exausto que já não vai mesmo funcionar, a não ser que lhe demos tempo para recuperar. Da mesma forma, se semana após semana continuarmos a treinar esse músculo, ele vai acabar por ser capaz de realizar um número progressivamente maior de repetições. A força de vontade funciona exatamente da mesma forma: ela é finita e podemos treiná-la a resistir mais. Mas ainda assim, continuará sempre a ser finita. Por isso, se formos a confiar apenas na nossa força de vontade para alcançar um determinado objetivo, o mais provável é acabarmos por falhar. Daí ser preciso fazer mais qualquer coisa. E é aqui que entra a conjunto B de atividades.

       

      Este segundo conjunto de atividades tem como objetivo modificar a nossa identidade individual de forma a incorporar o nosso novo paradigma. A identidade individual ou pessoal consiste naquilo que nós acreditamos que somos. Todos temos uma identidade individual, aquilo que muitos identificam como personalidade. No entanto, aquilo que muitos não se apercebem é que, ao contrário de alguns traços de personalidade, a nossa identidade individual é mutável e podemos manipulá-la de forma a tornar mais fácil atingirmos determinados objetivos. Aliás, a nossa identidade muda naturalmente ao longo da nossa vida. Qual de nós nunca sentiu isso na pele? Por exemplo, eu era extremamente tímida e hoje não me identifico como tal. Nunca fiz um esforço consciente para esta mudança, foi algo que surgiu naturalmente com a progressão de ambientes com os quais fui entrando em contacto ao longo da minha vida. Mas para aumentarmos as probabilidades de virmos a atingir o nosso objetivo, há partes da nossa identidade que podem ser alteradas de forma consciente.

       

      Posso, desde já, dizer que não é fácil. É mesmo preciso um esforço consciente. É preciso dedicar tempo e atenção aos diferentes passos que se podem tomar, mas se realmente o quisermos fazer, é totalmente possível e está ao alcance de qualquer um.

       

      Estratégias

      Na minha opinião e da minha própria experiência, há cinco estratégias que podemos implementar para proporcionar esta mudança de identidade. Estas funcionaram (e continuam a funcionar) comigo, mas não quer dizer que não existam mais que estou ainda para descobrir.

       

      1 – Visualização

      Todas as manhãs, depois dos meus 5 minutos de meditação, faço 5 minutos de visualização. Esta atividade pode ser muito parecida com a meditação, mas enquanto que na meditação tentamos focar o nosso pensamento em algo específico, ou apenas observar os pensamentos que surgem, na visualização a ideia é (como o próprio nome indica) visualizarmo-nos a nós próprios depois de termos alcançado os nossos objetivos. Por exemplo, se o objetivo for ter um estilo de vida saudável, posso visualizar-me com o corpo que desejo, sentido-me confortável e confiante nesse mesmo corpo, a comer alimentos saudáveis e a retirar prazer deles, a mexer-me, a ir ao ginásio e a passar tempo ao ar livre, sem stress e com um estilo de vida equilibrado em que descanso tanto quanto necessário. Se objetivo for uma mudança de carreira posso então visualizar-me a sair de casa para ir fazer o trabalho para o qual desejo mudar, a sentir-me realizada com aquilo que faço e a sentir-me confortável e confiante na minha nova posição.

      Este ato de nos visualizarmos de determinada forma e de o fazermos repetidamente vai fazer com que o nosso cérebro interprete isso como uma realidade. Já devem ter ouvido a frase “fake it till you make it” e isto está relacionado com isso mesmo. Ao vermos esta nova pessoa, que somos nós mas ainda não somos, o nosso cérebro vai começando a interpretar aquilo como uma realidade, uma inevitabilidade, algo que é tão natural como aquilo que somos neste momento.

      Se conseguirem fazê-lo de manhã e à noite, tanto melhor.

       

      2 – Daydreaming

      Esta estratégia vem no seguimento da anterior e é por vezes muito fácil de implementar. Apesar do daydreaming ter muitas vezes uma conotação negativa, estando associada a crianças desatentas nas aulas ou a adultos pouco focados nos outros ou no seu trabalho, ela é, na verdade, uma atividade estimulante e que pode até levar ao aumento da memória e da criatividade (entre outros benefícios). Neste contexto, pretende-se um prolongamento da estratégia anterior. Quantas vezes já não me imaginei a conseguir um grande contrato com uma grande editora para a publicação de um dos meus livros? Isto ainda antes de ter qualquer livro escrito!

      A chave aqui é não descartar estes sonhos como impossibilidades mas assumi-los mesmo como potenciais realidades daqui a uns meses ou anos. Porque não? Tudo é possível. O objetivo é ficar em forma? Então imagina-te a ir à praia com aquele biquini da moda e o corpo dos teus sonhos, confiante e sorridente. Faz isto com grande frequência e menor será a probabilidade de ires à caixa das bolachas porque estás aborrecidos com o trabalho. Por isso, deixa a tua mente divagar à vontade pelos teus maiores sonhos de forma a aumentares o contacto do teu cérebro ainda mais com a tua futura realidade (sim, é mesmo importante acreditares que esta vai ser a tua realidade no futuro).

       

      3 – Afirmações

      A ideia desta estratégia consiste em ter um conjunto de afirmações que traduzam a pessoa na qual nos queremos transformar. Estas afirmações devem estar escritas e acessíveis sempre que as queiramos ler. Por exemplo, eu tenho um cartão com as minhas afirmações mais importantes na mesa de cabeceira, e outro na minha carteira, que anda sempre comigo. Podem também escrevê-las numa nota no telemóvel ou numa agenda com a qual andem sempre. Para que estas afirmações tenham um maior impacto, há dois pormenores que podem implementar:

      – escreva-as no presente. Por exemplo, se o objetivo for ter um estilo de vida mais saudável podes escrever no presente “Eu sou uma pessoa saudável que trata bem do seu corpo e se sente confiante na sua própria pele.”

      – lê-as imediatamente antes de adormeceres e imediatamente depois de acordares. Os últimos minutos antes de adormeceremos e os primeiros minutos depois de acordarmos são as alturas em que estamos mais próximos do nosso subconsciente.

       

      4 – Incorporação no vocabulário

      Começa a falar como se o objetivo que queres alcançar já fosse uma realidade ou como se fosse uma inevitabilidade. Numa primeira instância, esta estratégia será mais fácil de implementar no teu discurso interno, ou seja, quando falas contigo própria. Por exemplo, se quiseres mudar de carreira, fala como se já tivesses a nova profissão que queres. Eu, por exemplo, levei algum tempo a conseguir afirmar “Eu sou escritora.” Hoje já não sei ver-me de outra forma. Se o objetivo for ficar em forma digam sempre “quando eu conseguir vestir aquele vestido” em vez de “se eu conseguir”.

      Progressivamente, tenta levar este tipo de discurso também para a interação com os outros. Talvez primeiro seja mais fácil de implementar com quem te é muito próximo e esteja a par do teu objetivo, e apenas mais tarde com outras pessoas. Esta estratégia pode parecer demasiado óbvia mas há muitas pessoas que a descuram e que não se apercebem que o facto de dizerem algo como “se eu realmente conseguir mudar de emprego” (em vez de “quando eu mudar de emprego”) está a transmitir aos seus cérebros que não sabem se serão capazes. Ora, não é isso que se pretende, muito pelo contrário. Pretende-se, com todas estas estratégias, transmitir ao nosso cérebro que esta mudança é inevitável.

       

      5 – Incorporação no meio ambiente

      Rodeia-te de incentivos e de elementos que te transmita motivação quanto ao teu objetivo, e ainda, que te indiquem que a mudança já está em progresso.

      No campo da motivação, podem ser frases motivacionais, fotografias que representem os teus objetivos, ou mesmo vision boards. No exemplo da mudança de carreira, se precisas de aprender algo novo relacionado com a nova área, estabelece uma área de trabalho onde apenas vais trabalhar nessa mudança. Uma secretária com materiais de trabalho pode muito bem ser o suficiente. Já para o outro exemplo, compra mesmo aquele biquini ou aquele vestido que queres usar quando atingires a forma dos teus sonhos.

      Há variadas formas de incorporares o teu objetivo no teu meio ambiente e a forma como o fazes vai depender muito do objetivo em questão. Mas mais uma vez, apesar de poder parecer óbvio, é bom não descurar esta estratégia.

       

      Conclusão

      Espero que tenhas gostado destas estratégias e que consideres a sua implementação. Tudo muda quando a nossa identidade muda, acredita. Mas para isso, temos de ser intencionais e trabalhar de uma forma consciente (mesmo que o intuito seja influenciar o nosso subconsciente).

       

      Convém agora não esquecer que ainda existe o conjunto de atividades A! Continuam a ser precisas ações práticas para alcançares os teus sonhos. Não basta visualizar, e sonhar, e afirmar, para que a coisa se dê. Continua a ser preciso trabalho.

       

      Uma última recomendação: não tentes implementar todas estas estratégias de uma só vez. Vai ser demasiado e apenas vai servir para te baralhar e desmotivar. Começa por uma, aquela que, para ti, fizer mais sentido, e concentra-te em transformar essa num hábito. Quando essa estratégia já não exigir muito esforço, passa para a seguinte e assim progressivamente.

       

       

      Se conheceres mais alguma estratégia relacionada com este assunto partilha-a comigo nos comentários e se decidires começar a implementar alguma destas estratégias vai-me dizendo como está a correr.

       

      Partilho 5 estratégias para conscientemente mudares a tua identidade individual e conseguires avançar em direção aos teus maiores sonhos.

    • Mudar de Vida – 5 Coisas de que vais precisar

      Mudar de vida

       

      Muito se tem falado, ultimamente, sobre esta coisa de mudar de vida. Há cada vez mais pessoas a deixarem empregos tradicionais, a criarem o seu próprio emprego ou negócio, a serem empreendedoras. As estatísticas mostram que não faltam muitos anos para que nos Estados Unidos 40% da população trabalhadora esteja a trabalhar por conta própria. Ouvimos histórias de sucesso, pessoas que relatam vidas fantásticas e que partem em viagem pelo mundo porque podem trabalhar a partir de qualquer lugar. E isso é maravilhoso.

       

      Também tenho começado a ver algumas opiniões de crítica a esta tendência. Porque parece estar a tornar-se mesmo uma tendência, no pior sentido da palavra, parece que virou uma moda e quem não a seguir está a ficar para trás. E isso pode deixar muitas pessoas baralhadas e perto de tomarem decisões precipitadas e que podem não ser as melhores para si. O que me dá algum medo, confesso.

       

      E é por isso que escrevo este artigo hoje. Porque eu acredito mesmo que não é suficiente ter-se uma repentina vontade de ser livre e de se tornar location-independent ou digital nomad para se mudar de vida. É preciso muito mais do que isso. E é essa mensagem que quero transmitir.

       

      Também podes ver o vídeo:

       

      Quando eu própria decidi mudar de vida (e já falei dessa mudança de vida na apresentação do podcast), fui muito ponderada e nada na minha decisão foi precipitado. E hoje gostava de vos falar das 5 coisas que acredito serem absolutamente indispensáveis para quem está a pensar mudar alguma coisa na sua vida.

       

      1 – Certeza

      Tens de ter a certeza que é mesmo isso que queres. Pode parecer óbvio mas é mesmo importante. Enquanto não tiveres a certeza absoluta que é isso que queres, não avances. Não vale a pena arriscar um futuro arrependimento.

       

      Tenho muito medo que haja pessoas com dúvidas se realmente o devem fazer ou não e que pensem “bem, está todo mundo a fazê-lo, por isso deve ser fixe e tal…”, sem, de facto, terem e certeza.

       

      Não! Por favor.

       

      Não tomes enormes decisões de vida sem teres a certeza absoluta que é mesmo isso que queres. E eu sei que às vezes pode parecer difícil perceber se tens mesmo a certeza ou não, mas eu vou dar-te uma pista: se não consegues perceber é porque ainda não tens a certeza. Ponto.

       

      Quando tiveres a certeza, vais saber. Não vai haver dúvidas. Vai ser tão claro como a água. Se ainda te sentes hesitante, se ainda sentes o teu corpo a retrair-se quando pensas no assunto, é porque ainda não chegou o momento certo.

       

      Pode ser que com o tempo venhas a ter a certeza ou pode ser que um passo desses não seja mesmo para ti e não há problema nenhum. Copiar os outros é que não vale: a vida é tua e é responsabilidade tua seres feliz.

       

      Agora apenas uma ressalva: ter a certeza não significa não ter medo. Não mesmo! Podes – aliás, vais – ter a certeza e continuar a ter medo. O medo nunca vai desaparecer. O medo significa apenas que te estás a propor fazer coisas que neste momento ainda não estão ao teu alcance ou que ainda não te sentes capaz – e isso até pode acontecer dentro do teu trabalho de todos os dias. Mas quando digo para esperares até teres a certeza não estou a dizer para esperares até deixares de ter medo: se assim fosse, nunca ninguém teria mudado de vida.

       

      Precisas de ter a certeza, mas atenção: apenas ter a certeza não é suficiente! Vais precisar de mais quatro coisas.

       

      2 – Um plano

      Sim, é importante teres um plano. Isto não quer dizer que tenhas de saber exatamente o que vais fazer para o resto da tua vida, nada disso! Isto quer apenas dizer que precisas de ter como sobreviver e que não deves dar um salto no escuro sem teres um qualquer meio de te sustentares. Afinal, todos temos contas para pagar!

       

      Eu acredito que, às vezes, possa dar vontade de deixar tudo e dar uma grande volta à vida só por estarmos fartos da maneira como a vida é, mas sem um plano estou certa que não pode correr bem.

       

      Este plano pode envolver várias coisas. Pode ser que só saias do teu emprego quando já tens outro garantido, ou pode ser que trabalhes no teu negócio nas horas livres até teres a segurança suficiente para saberes que vais conseguir sustentar-te. O plano pode até passar por poupanças que tens no banco e que te vão permitir fazer uma transição mais lenta. Ou até mudares para um emprego que te ocupe menos tempo, como um part-time, para teres mais tempo livre para dedicar ao teu novo negócio enquanto ainda não podes depender apenas dele.

       

      Há várias hipóteses e todas elas são válidas. O importante é que este plano exista e te deixe confortável. Precisas de conseguir dormir de noite e despedires-te ou abdicares de um rendimento sem saberes como vais conseguir comprar comida no mês seguinte simplesmente não é uma alternativa.

       

      O que também tem de fazer parte deste plano é o que vais fazer a seguir. Como já disse: não tens de saber o que vais fazer para o resto da vida, mas tens de saber o que vais fazer, pelo menos, nos meses seguintes – mesmo que seja não fazer nada. Podes ainda não saber por que área de trabalho vais enveredar, mas, se for esse o caso, deves pelo menos ter algumas áreas de interesse que te proponhas a explorar para veres qual desperta mais a tua paixão. Porque não, nem todos sabemos à nascença nem desde pequeninos o que queremos fazer com o resto das nossas vidas, mas tens de estar disposta a explorar as tuas opções até encontrares aquela que te faz vibrar mais.

       

      3 – Uma rede de apoio

      Uma rede de apoio que te vai servir dois objetivos. Em primeiro lugar, todos sabemos que nem sempre os planos dão certo, por isso se o plano de que falámos no ponto anterior falhar, convém teres algum apoio, alguém que te possa ajudar durante algum tempo enquanto te voltas a endireitar depois da queda. Esta rede de apoio nem precisa de ser alguém que se disponha a pagar as tuas contas se tu falhares, pode ser alguém que, em vez disso, se disponha a dar-te um trabalho. Mas, mais uma vez, é importante que consigas dormir à noite e este é mais um nível de segurança que vai contribuir para isso.

       

      Para além disso, também precisas de uma rede de apoio a nível psicológico. Alguém que acredite em ti, que te dê força e com quem possas conversar.

       

      Se fores em frente, vais encontrar, no meio deste processo de mudança, pessoas que não acreditam que sejas capaz. Pessoas que te vão deitar a baixo e que te vão dizer que aquilo que queres não é possível. Se não tiveres uma rede de apoio positivo para contrabalançar estes inputs negativos, acredito que possas não ficar num estado psicológico muito saudável. Vais sentir-te sozinho, isolado, que és tu contra o resto do mundo. E isso não é forma de se viver.

       

      Se tiveres alguém do teu lado, os momentos mais difíceis vão tornar-se automaticamente mais fáceis e vais conseguir recuperar forças recorrendo a esse apoio.

       

      4 – Confiança

      Confiança em ti. Nas tuas capacidades, na tua força, na tua própria decisão. Confiança de que já tens tudo aquilo de que precisas para seres bem sucedido – nem que seja a capacidade para ires atrás daquilo que ainda te falta. Confiança em ti próprio é algo crítico para quem quer iniciar algo novo – seja o que for esse algo. Sem confiança será mil vezes mais difícil dares os passos que precisas de dar para concretizares o teu plano. Se estiveres sempre a questionar as tuas próprias capacidades, precisarás de muito mais força para conseguires executar, e esse acréscimo de força necessária poderá fazer com que acabes por desistir antes do recomendável.

       

      Confiança no processo. Confiança que é possível. Não és o primeiro nem serás o último a mudar algo na sua vida, por isso já sabemos que o processo pode resultar, se deres os passos certos. Por muito medo que possas ter, tens de saber, ao mesmo tempo, que tudo vai funcionar como tem de funcionar. É possível, é mesmo possível. Já dizia o Walt Disney, “se consegues sonhá-lo, consegues fazê-lo” por isso acredita com todas as tuas forças. Confia nas possibilidades.

       

      5 – Disciplina e muita vontade de trabalhar muito

      Se queres mudar de vida, não duvides nem por um momento que vais precisar de trabalhar muito! Podes precisar de voltar a estudar, possivelmente precisaras de treinar ou praticar, existe até uma forte possibilidade de teres de trabalhar de graça, pelo menos no início.

       

      Eu tenho como objetivo uma vida mais equilibrada mas tive uma fase de transição em foi necessário dar tudo por tudo. Entre aulas (durante meses com 3 cursos diferentes ao mesmo tempo), trabalhar no meu próprio negócio, trabalho voluntário para ganhar experiência, continuar com o blog e com a escrita, pouco tempo me sobrava para parar e cheguei a ter semanas de total loucura. Foi duro, mas fui eu que escolhi e sabia que seria apenas uma fase, que era temporário, que iria aprender imenso e que todo o processo me faria crescer ainda mais. Foi isso mesmo que aconteceu e, entretanto, já consegui recuperar o meu equilíbrio.

       

      Mas para se fazer tudo isto é essencial uma coisa: disciplina.

       

      Porque o teu negócio não se vai montar sozinho, os cursos não te vão ensinar nada se não te aplicares, e se por acaso fizeres trabalho de forma voluntária, não haverá um ordenado no fim do mês a funcionar como incentivo. Terás apenas a ti próprio para te motivar e incentivar. E isso exige, exatamente, disciplina. Resiliência. Grit.

       

      Caso não conheçam a definição de grit, é muito simples: paixão + resiliência. E a chave aqui é a resiliência, porque se escolheste algo a que te dedicar, é expectável que tenhas uma paixão ou, pelo menos, um interesse na área. Mas para seres bem sucedido, precisas, para além da paixão, de trabalhar consistentemente, e para isso precisas de disciplina para continuares no longo prazo, e de resiliência para enfrentares os obstáculos.

       

      Se não fores capaz de continuar a acordar cedo mesmo não tendo de ir para o escritório, de te sentares na secretária a trabalhar mesmo não tendo ninguém a exigir-te que entregues trabalho, de continuar a aprender todos os dias um bocadinho mais, de trabalhar muitas horas até as coisas começarem a estabilizar, então não vais conseguir. Por isso esta é outra das certezas de que precisas: a certeza de que vais conseguir manter-te disciplinado durante todo o processo. Caso contrário, nem vale a pena tentar.

       

      (Apesar de estarmos essencialmente a falar de grandes mudanças de vida, acredito que são precisas exatamente as mesmas coisas para se fazerem mudanças mais pequenas mas que queremos que perdurem)

       

      Se te faltar alguma destas 5 coisas, não te precipites. Espera! Não há mal nenhum em dar tempo ao tempo e aguardar pelo momento certo. Não é uma corrida e ninguém te vai criticar se te mantiveres como estás. Está tudo bem.

       

      Só não vás atrás de modas só porque todos o fazem, sem teres a certeza que é mesmo isso que queres para ti e sem teres todas as ferramentas que sabes que vão ser necessárias.

       

      Se tu já mudaste alguma coisa na tua vida, acrescentarias mais alguma coisa a esta lista? Conta-me nos comentários.

       

      Muito se tem falado, ultimamente, sobre isto de mudar de vida. Mas é importante saber que há ferramentas de que vais precisar. Deixo-te aqui as 5 mais importantes se também quiseres mudar de vida.

    • As reações e o seu significado

      Aminha história com a filosofia estóica começou em Dezembro de 2016, quando li o livro “The Obstacle is the Way” escrito pelo Ryan Holiday. Gostei tanto que decidi começar a ler o livro “The Daily Stoic” do mesmo autor em colaboração com Stephen Hanselman. Este livro é composto por um texto para cada dia do ano, cada texto constituído por um parágrafo de um filósofo estóico seguido da interpretação dos autores do livro.

       

      Depois disso, nunca mais deixei de ler e aprender mais sobre filosofia estóica e é um tema que me apaixona.

       

      reações

       

      Tenho percebido que há um tópico que surge constantemente na filosofia estóica e que tem a ver com o significado das reações – reações que temos a coisas, situações, sentimentos, pessoas, imprevistos. Este assunto pode ser visto de duas perspetivas diferentes.

       

      As reações dos outros

      Uma ideia muito difundida entre os filósofos estóicos é que as reações dos outros a ti, às tuas ideias e ao teu modo de vida, têm a ver com eles próprios, não estão relacionadas contigo. Isto é algo que pode parecer óbvio em certas situações, mas noutras nem tanto.

       

      Por exemplo, numa situação de violência doméstica, o facto de um homem agredir a mulher diz muito mais sobre o tipo de homem que ele é do que sobre ela. Penso que todos podemos concordar com isto. Este é um caso óbvio.

       

      O que muitas vezes não percebemos mas que pode mudar completamente a forma como vemos o mundo é que isto é verdade para tudo. Por exemplo, se algum colega de trabalho se irrita numa reunião quando tu estás a dar uma ideia, isto diz muito mais sobre ele do que sobre a tua ideia. Se uma outra pessoa toma uma atitude defensiva quando tu a chamas a atenção por algum motivo, isso diz muito mais sobre essa pessoa do que sobre ti. Se uma pessoa decide afastar-se de um grupo de amigos, isso diz muito mais sobre ela do que sobre o grupo.

       

      E por aí fora. Talvez mais importante do que tudo o resto: se alguém diz mal de ti, ou te trata mal ou faz algo para te magoar, isso sem dúvida que diz mais sobre essa pessoa do que sobre ti. Ter esta perceção faz com que seja muito mais fácil lidar com as reações dos outros.

       

      Isto não quer necessariamente dizer que estas pessoas sejam más ou que estejam a tentar magoar-te propositadamente. Podem simplesmente estar a sentir-se inseguras ou ameaçadas e estas reações serem um mecanismo de defesa. Não podemos saber exatamente porque estão a reagir assim, uma vez que não estamos no lugar da pessoa. Mas só o facto de conseguirmos dissociar estas reações de nós próprios já ajuda a encarar situações difíceis com outros olhos.

       

      Depois há o reverso da medalha.

       

      As tuas reações

      Porque as tuas reações – e as tuas ações – também dizem muito sobre ti.

       

      Alguém se mete à tua frente na fila do supermercado e tu começas a disparatar? Isso diz mais sobre ti do que sobre a pessoa que se meteu à tua frente. Não digo para deixares passar – se bem que por vezes é mesmo o melhor – mas há várias formas de lidar com a situação.

       

      O teu chefe chama a tua atenção para algo que fizeste mal no trabalho e tu começas a chorar (ok, podes não começar a chorar logo ali, mas sentes essa vontade e é o que fazes quando chegas a casa*)? Isso diz muito mais sobre ti e sobre a forma como lidas com as tuas falhas do que sobre o teu chefe ou sobre o teu trabalho.

       

      Estás de férias, há um imprevisto qualquer e ficas logo chateada? Já sabes o que vou dizer a seguir, certo? São férias, já sabemos que há imprevistos, para quê ficar chateado? Isso fala sobre a pessoa que és.

       

      Man is affected, not by events, but by the view he takes of them.

      Epictetus

       

      Quando te convences de coisas como “eu sou o tipo de pessoa que lida bem com imprevistos” e depois chega aquele imprevisto que vai acontecer nas próximas férias, será muito mais fácil de lidares com ele. Quando dizes a ti próprio – e acreditas – “eu sou o tipo de pessoa que não se importa de falhar desde que aprenda com os meus erros”, da próxima vez que o teu chefe te chamar à atenção por algum erro, vais reagir muito melhor e vais automaticamente procurar a forma de aprenderes algo com esse erro, em vez de te martirizares por teres falhado.

       

      Também isto tem a ver com o auto-conhecimento – quando olhares para dentro de ti e tentares perceber de onde vêm as tuas reações, vais ficar a conhecer muito melhor a pessoa que és. E tem também a ver com mudança de identidade – porque se te convenceres que és a pessoa que reage de determinada maneira, muita mais facilmente vais começar a fazê-lo.

       

      Today I escaped anxiety. Or no, I discarded it, because it was within me, in my own perceptions — not outside.

      Marcus Aurelius, Meditations

       

      Cada vez mais tenho dado por mim a parar em certas situações para pensar “calma lá, porque é que eu estou a reagir assim a isto?”. Ou então, quando alguém reage de uma forma que eu não estou à espera também agora consigo parar e pensar “calma, deve haver algo nesta pessoa que a está a fazer reagir assim, o mais provável é não ter nada a ver comigo”. Sinto que ter a capacidade de parar para pensar neste tipo de coisas oferece mesmo uma nova perspetiva sobre o mundo, para além de me permitir viver em menos stress e de forma mais consciente.

       

      Tenta prestar mais atenção às tuas próprias reações. Tenta interpretar o que elas querem dizer. Vais ver que quando começas a fazê-lo novas perspetivas se começam a abrir, e quando novas perspetivas se abrem sobre ti próprio, a pessoa que és só pode mudar para melhor.

       

      It’s not what happens to you, but how you react to it that matters.

      Epictetus

       

      *não falo por mim, que sou culpada de chorar mesmo ali, em frente ao chefe

       

      Reflexão sobre o significado das reações - as nossas e as dos outros. Bases da filosofia estóica ajudam a dar uma resposta.